Há doenças que quase não se ouvem pronunciar. Não porque não existam, mas porque os seus sinais e sintomas se confundem com outros problemas aparentemente comuns. O colangiocarcinoma é uma dessas doenças. 

Trata-se de um tumor raro e agressivo das vias biliares- os canais que transportam a bílis do fígado para o intestino- e que, em muitos casos, só é diagnosticado numa fase avançada. Para quem recebe este diagnóstico, o impacto é profundo: físico, emocional e até mesmo social. 
Falar sobre colangiocarcinoma é, por isso, essencial. Porque o que não se reconhece, dificilmente se diagnostica a tempo. 

O que é o colangiocarcinoma? 

O colangiocarcinoma é um tipo de cancro que se desenvolve nas vias biliares, podendo surgir dentro do fígado, à saída do fígado ou ao longo do ducto biliar que conduz ao intestino [1]. Apesar de ser considerado raro, a sua incidência tem vindo a aumentar a nível global [2]. 

A doença caracteriza-se por uma evolução agressiva e por um prognóstico reservado. Globalmente, a taxa de sobrevivência a cinco anos é inferior a 10%, refletindo, em grande parte, o diagnóstico tardio que ainda caracteriza a maioria dos casos [2,3]. 

Sinais e sintomas que nem sempre são muito claros 

Um dos maiores desafios do colangiocarcinoma é o facto de os sinais e sintomas iniciais serem pouco específicos. Icterícia (pele e olhos amarelados), dor abdominal, perda de peso involuntária, prurido, febre, urina escura ou fezes claras são manifestações frequentes, mas facilmente poderiam ser sinais e sintomas atribuídos a outras patologias mais comuns [3]. 

Esta ausência de sinais e sintomas claros nas fases iniciais contribui para que uma proporção significativa dos doentes seja diagnosticada em estadios avançados da patologia, quando as opções terapêuticas são mais limitadas e o impacto na qualidade de vida é maior [2]. 

Quem tem maior risco? 

Embora em muitos casos não seja possível identificar uma causa específica, sabe-se que o risco de desenvolver colangiocarcinoma aumenta com a idade, sendo o diagnóstico mais frequente em pessoas com uma idade mais avançada [2]. 

Existem também vários fatores associados a um risco acrescido, nomeadamente: 

  • doenças hepáticas crónicas, como a cirrose ou a hepatite B e C; 
  • doenças inflamatórias das vias biliares, como a colangite esclerosante primária; 
  • diabetes, obesidade e consumo regular de álcool; 
  • infeções hepáticas por parasitas; 
  • exposição prolongada a determinados agentes químicos [2]. 

A prevenção passa pela promoção de estilos de vida saudáveis, pela vacinação contra a hepatite B e pela prevenção de infeções hepáticas. No entanto, estas medidas não eliminam totalmente o risco de desenvolvimento da doença [2]. 

A realidade em Portugal  

Em Portugal, o colangiocarcinoma representa um desafio crescente para a saúde pública. Entre 2006 e 2012, foi identificado como a quinta principal causa de morte associada a doenças hepatobiliares, com mais de 1.300 óbitos registados nesse período [4]. 

Dados mais recentes mostram: 

  • uma das taxas de mortalidade mais elevadas da Europa; 
  • um aumento superior a 50% na mortalidade por colangiocarcinoma intra-hepático em poucos anos; 
  • maior impacto em pessoas com 70 ou mais anos, sobretudo no sexo masculino [5,6].  

Porque é importante falar sobre colangiocarcinoma? 

Falar sobre colangiocarcinoma é essencial para promover o diagnóstico atempado e melhorar o acompanhamento das pessoas que vivem com esta doença. Por ser uma patologia pouco conhecida, o seu reconhecimento pode ser tardio, o que contribui para atrasos no diagnóstico e para um maior impacto ao longo do percurso da doença. 

A consciencialização permite aumentar a atenção aos sinais e sintomas e criar oportunidades para uma intervenção mais precoce, com potencial impacto positivo nos resultados em saúde. 

Em Portugal, a criação de grupos de estudo dedicados às doenças hepáticas e biliares representa um passo relevante no reforço do conhecimento clínico e científico nesta área. No entanto, a resposta ao colangiocarcinoma vai além do contexto hospitalar. O acesso à informação clara e fiável, a valorização dos sintomas e a atenção à experiência de quem vive com a doença são também fundamentais para uma abordagem mais integrada e centrada na pessoa. 

Dar visibilidade é um ato de cuidado 

Tornar esta patologia mais conhecida é um compromisso com os doentes, com as famílias e com uma abordagem à saúde mais informada, mais humana e mais atenta. 

Falar é o primeiro passo. Reconhecer é o seguinte. Agir é o mais importante. 

Referências

Cholangiocarcinoma Foundation. Learn About Cholangiocarcinoma. Disponível em: https://www.cholangiocarcinoma.org/learn-about-cholangiocarcinoma/ 

Banales JM et al. Cholangiocarcinoma 2020: the next horizon in mechanisms and management. Nature Reviews Gastroenterology & Hepatology. 2020;17:557–588. 

American Cancer Society. What Is Bile Duct Cancer (Cholangiocarcinoma)? Atualizado a 11 de outubro de 2024. 

Cortez-Pinto H et al. Mortality associated with hepatobiliary disease in Portugal between 2006 and 2012. GE – Portuguese Journal of Gastroenterology. 2018;25(3):123–131. 

Tao F et al. Epidemiology of cholangiocarcinoma. Hepatoma Research. 2022. 

Vithayathil M, Khan SA. Current epidemiology of cholangiocarcinoma in Western countries. Journal of Hepatology. 2022;77(6):1690–1698. 

O início da atividade do Grupo Servier em Portugal remonta a 1964, mas foi em 1978 que a empresa se estabeleceu enquanto filial: nascia a Servier em Portugal. Atualmente com uma equipa de aproximadamente 150 colaboradores, a Servier Portugal dedica a sua atividade às áreas de Hipertensão, Dislipidemia, Doença Venosa Crónica, Doença Hemorroidária, Diabetes, Insuficiência Cardíaca, Depressão e Oncologia. Em específico na área de Oncologia com soluções terapêuticas para os Cancros Colorretal, Gástrico, Pancreático, Colangiocarcinoma e Leucemia Linfoblástica Aguda. 

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